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Docas e Cia: modelo exaurido A imprensa tem noticiado freqüentemente problemas na gestão
pública. No caso dos portos, têm merecido destaque decisões
judiciais determinando o bloqueio ou a penhora de receitas de importantes
administrações portuárias para o pagamento de dívidas
trabalhistas. A situação da Codesp, por exemplo, é
calamitosa: mergulhada numa crise financeira sem precedentes, a empresa
não consegue recuperar o fôlego, mesmo tendo nas mãos
a administração do maior porto brasileiro; e um dos motivos
desse desequilíbrio é a dívida trabalhista, que
cresce como uma bola de neve. Levantamento de um ano atrás registrava
4.000 processos em andamento e um passivo total de mais de R$ 60 milhões,
para um quadro de funcionários que hoje não chega a 1.500. Se o passivo trabalhista dos portos se referisse somente a pendências antigas que, uma vez resolvidas, dessem lugar a relações mais estáveis e equilibradas, seria razoável enfrentá-lo sem maiores questionamentos. No entanto, o problema é crônico e crescente. As ações judiciais se multiplicam e tendem a se tornar mais numerosas que o quadro de funcionários das Cias. Docas. Estas, por sua vez, como não têm a mesma capacidade de gerar receitas que tinham antes do processo de privatização de serviços e instalações portuárias, perdem o controle sobre esse passivo, que se acumula ao ponto de a Justiça do Trabalho determinar bloqueios de receitas. Esse é o dreno por onde escoa uma parte substancial dos recursos que o sistema portuário deveria estar aplicando em dragagens de manutenção. Trata-se de um círculo vicioso e perverso. Se os fundos de dragagem das administrações portuárias brasileiras, alguns formados diretamente por recursos privados arrecadados fora da tarifa, continuarem sendo desviados - seja para tapar buracos de um passivo trabalhista inadministrável e crescente, seja para dar suporte a empreendimentos político-partidários, como faz, ativamente ou a contragosto, a maioria das Cias. Docas e administrações estadualizadas - então o setor está matando sua galinha dos ovos de ouro. Como lucrar com operações portuárias se, por insuficiência de calado, os navios têm que fazer fila e aguardar horas, ou até dias, por condições favoráveis de maré para poder atracar? Dragagens de emergência autorizadas no atropelo por autoridades públicas podem aliviar o problema no curto prazo, mas não corrigem essas distorções estruturais. Não é só uma crise de credibilidade que as administrações portuária estão enfrentando, embora este seja um problema grave, em se tratando de entidades públicas que fazem interface rotineira com o comércio internacional. A crise maior é de sustentabilidade de um modelo de gestão que já não atende os requisitos mínimos de eficiência e agilidade exigidos da atividade portuária no século 21. É necessário e urgente mudar esse modelo, antes que uma falência irreversível cause o colapso do sistema, com conseqüências imprevisíveis para a balança comercial e o equilíbrio econômico e financeiro do País. (artigo publicado na edição da 1ª quinzena de setembro do Guia Marítimo). |
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